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A espasticidade e técnicas para a sua normalização. Só a aplicação local será suficiente?

A espasticidade resulta de uma lesão no Sistema Nervoso Central (SNC), como sequela de um Acidente Vascular Cerebral ou Paralisia Cerebral, por exemplo, que condiciona os movimentos voluntários e se traduz no aumento do tónus muscular, definição que implica, de um modo simples, a transformação do padrão de repouso em atividade, sempre que necessário.

No que respeita à sua classificação, a Escala Modificada de Ashworth é utilizada com frequência, de observação clínica variável, desde a ausência de aumento do tónus muscular até ao segmento corporal rígido em determinado padrão. Dependendo da alteração cerebral, a espasticidade pode ser ténue, afetando um pequeno grupo de músculos, ou ser mais grave, como numa paralisia de um dos hemicorpos, designada hemiparésia ou hemiplegia. De salientar que a topografia é variável consoante os segmentos corporais afetos. 

A espasticidade altera a inervação recíproca, especificamente no que concerne à atividade efetiva entre os músculos agonistas e antagonistas em determinado(s) movimento(s), condição que interfere na qualidade do movimento e nalguns casos até a sua inexistência, afetando a função e inerentemente impacto na qualidade de vida. Este aumento do tónus é involuntário e por nomenclatura depende da velocidade do movimento recrutado. Os músculos limitam a capacidade de normalizar o tónus e estão constantemente contraídos. 

Com vulgaridade se confunde hipertonia com espasticidade, pelo aumento do tónus. De referir que a definição clara de aumento do mesmo designa-se por hipertonia e que a espasticidade, assim como a rigidez muscular, são tipos de hipertonia, com fisiopatologias diferentes. 

Muito poderíamos descrever. Todavia, o objetivo deste artigo é clarificar os tratamentos deste tipo de tónus muscular, a espasticidade. Comummente se utiliza a mobilização passiva no segmento a tratar e outras técnicas como o recurso à termoterapia e eletroterapia, igualmente local. Não significa, de todo, que esteja errado, contudo, há muito mais a ser implementado e com resultados mais rápidos, o tão esperado pelos utentes. 

Conforme citado, a espasticidade é resultado de uma lesão do SNC, por isso, toda a atuação deve considerar a Neurologia. Se na observação da funcionalidade do utente são sinalizadas determinadas compensações e se na tentativa de um agarrar, a mão contralateral executa o movimento pretendido, talvez seja pertinente incluir o corpo, na sua totalidade, para a intervenção. A chave é, sem qualquer dúvida, a avaliação. Compreender quais os segmentos corporais mais afetos, não e unicamente o afetado, e delinear um plano de intervenção estruturado e gradual, em vista à autonomia. Iremos mais além se identificarmos os sistemas sensoriais igualmente envolvidos e atuar de modo transdisciplinar.

A título de exemplo, se se verifica num padrão de marcha um membro inferior predominantemente em extensão, com algum comprometimento articular, e compensações contralaterais em flexão e cabeça maioritariamente rodada para o lado afetado com sinais de fadiga evidentes acompanhados de sincinesias, técnicas como termoterapia, mobilização alternada, input vestibular, propriocetivo, visual e auditivo, carga estática e/ ou dinâmica num total de conjuntos posturais que permitam a rentabilidade e o incremento da qualidade do movimento com recapitulação de determinados estádios sensório motores prévios à marcha, traduz um raciocínio abrangente e, acima de tudo, transdisciplinar. Uma metodologia que a Neuromegui se rege. 

De salientar que outras técnicas podem conduzir a uma diminuição da espasticidade como a Farmacologia, por exemplo a aplicação de toxina botulínica, e a Oxigenoterapia Hiperbárica. Relativamente à última, pode ler uma pouco mais no nosso Blog. 

A espasticidade é uma condição e a nossa atuação é atribuir função. Venha conhecer-nos. 

Artigo desenvolvido por Pedro Ferreira.