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Oxigenoterapia Hiperbárica

 

  • Oxigenoterapia Hiperbárica

A Oxigenoterapia Hiperbárica, OHB, apresenta uma variada utilização. Melhorias na qualidade do sono, recuperação mais rápida de tecidos como a cicatrização de feridas inclusive pós cirúrgicos, queimaduras, anti-inflamatório nas infeções dos tecidos necrosados, anemia, lesões causadas por radiações e produção de colagénio, entre outros. Desde o Desporto, Estética e até à Neurologia. 

  • Oxigenoterapia Hiperbárica e Epilepsia

Um estudo realizado emSagol Center of Hyperbaric Medicine and Research, Israel, entre Junho de 2010 e Dezembro de 2014, publicado em Janeiro de 2016, numa análise retrospetiva de 2334 pacientes e de 62614 sessões de Oxigenoterapia Hiperbárica, dividido em 3 categorias de amostra (com ou sem afetação neurológica e condições agudas), teve uma incidência total de convulsões de 0.011% em 7 pacientes (0.3%). Concluiu, portanto, que a indução de crise convulsiva por toxicidade de oxigénio é extremamente rara e que a técnica é considerada segura para utentes portadores de sequelas neurológicas, exceto na epilepsia não controlada.

  • Oxigenoterapia Hiperbárica e Paralisia Cerebral 

A causa mais frequente da Paralisia Cerebral resume-se a uma alteração no aporte sanguíneo e subsequente do oxigénio, num determinado momento e essencialmente no período perinatal, que resulta numa lesão isquémica ou hipóxica. Embora a hipóxia possa causar morte celular, pode existir uma área designada por “penumbra”, na qual as células cerebrais recebem apenas oxigénio necessária para sobreviver, mas de teor insuficiente para a integridade da função. Com isto, e numa hipóxia menos grave, alguns pesquisadores acreditam que as células podem sobreviver por muito tempo num estado lentificado, inativadas, e que podem ser reativadas se o fluxo sanguíneo for restaurado, condição antagónica ao que anteriormente se acreditava, uma vez que  a quantidade de oxigénio dissolvido no sangue por pressão, possível na Oxigenoterapia Hiperbárica, é maior (em ambiente normal, a % de inalação de oxigénio é de 0.32 ml/ 100ml dissolvido no sangue e a uma pressão de 2ATA, a inalação de oxigénio é de 100% a 3.7 ml/100 ml dissolvido no sangue). Resultados como a diminuição da espasticidade e melhoria funcional com a OHB reforçam esta hipótese. Alguns surgem infra tabelados. 

Vários estudos também sugerem mais investigação, sobretudo no que respeita aos limiares, mínimos e máximos, da pressão e concentração de oxigénio, número e frequência das sessões para uma melhor rentabilidade. Contudo, dado o risco de os efeitos secundários ser muito baixo face aos resultados promissores, a Oxigenoterapia Hiperbárica tem vindo a ser descrita internacionalmente como uma boa terapêutica nesta população. 

  • Oxigenoterapia Hiperbárica e Autismo  

As Perturbações do Espectro Autista (PEA) assumem um grupo heterogéneo de alterações neurodesenvolvimentais na interação social, na comunicação – verbal e não verbal – e nos padrões estereotipados repetitivos do comportamento, a vulgar tríade de Wing. 

Cada vez mais são os estudos que referem alterações fisiológicas e metabólicas na PEA, transcendentes à disfunção orgânica, como a hipoperfusão cerebral, desregulação do sistema imunitário, stress oxidativo, neuroinflamação intestinal e disfunção mitocondrial, apesar da etiologia questionável. 

Nas últimas décadas, investigadores especulavam que a Oxigenoterapia Hiperbárica poderia ser uma mais valia no foro fisiológico e inerente comportamento em crianças com autismo. Investigação ainda mais recente sugere resultados benéficos nalguns dos principais processos fisiopatológicos responsáveis pelo desenvolvimento da doença. Ao nível da perfusão cerebral, por exemplo, é possível que a sua eficiência aumente, relatado por leitura pré e pós SPECT, uma vez que uma amostra de 108 crianças com PEA, num total de 50 sessões de OHB, obteve melhorias da perfusão cerebral em 85.3% no lobo frontal, 82.4% no lobo temporal e 75.8% nas restantes áreas. Do ponto de vista do stress oxidativo existe a ideia que o mesmo pode aumentar no autismo pelo aumento das espécies reativas ao oxigénio. Contudo, a forma como processos metabólicos são desencadeados após este mecanismo conduz à diminuição do stress oxidativo. 

De modo indireto, estas modificações fisiopatológicas conduzem à evolução nas principais áreas afetadas na PEA, breve e inicialmente descritas. Abaixo surgem resultados alcançados na prática. 

Artigo desenvolvido pela Terapeuta Sónia Silva e Fisioterapeuta Pedro Ferreira.

Referências:

Fischer I. Shohat S. Levy G. Bar E. Schokoroy S et al. Hyperbaric Oxygen Therapy Alleviates Social Behavior Dysfunction and Neuroinflammation in a Mouse Model for Autism Spectrum Disorders. International Journal of Molecular Sciences. 23, 11077. 2022

Hadanny A, Meir O, Bechor Y, Fishlev G, Bergan J, Efrati S. Seizures during hyperbaric oxygen therapy: retrospective analysis of 62,614 treatment sessions. Undersea Hyperb Med 43(1):21-8. 2016.

Rossignol D. Bradstreet J. Dyke K et al. Hyperbaric oxygen treatment in autism spectrum disorders. Rossignol et al. Medical Gas Research. 2:16. 2012.

Sénéchal C, Ph.D. Larivée S, Ph.D. Richard E. Marois P, M.D. Hyperbaric Oxygenation Therapy in the Treatment of Cerebral Palsy: A Review and Comparison to Currently Accepted Therapies. Journal of American Physicians and Surgeons Volume 12 Número 4. 2007.