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Reflexos primitivos retidos. Mas afinal o que são, o que tem de novo e diferente?

Poderíamos criar uma verdadeira obstinação e relacionar tudo aos reflexos primitivos retidos. Pois, em boa verdade e até fundamentada, a sua retenção condicionará o neurodesenvolvimento. 

Independentemente do que queiramos chamar ou designar as dificuldades, subsequentes nas aprendizagens, quer por disfunção ou quer por patologia, carecem de alterações sensoriais basais cuja integração fomentará processos superiores. Até então, nada de novo, de diferente. Vários são os autores que assumem esta linha condutora nas suas metodologias. 

O que muda e diferencia a prática da integração dos reflexos primitivos é uma intervenção detalhada e hierárquica, à luz dos sentidos para cada padrão, de dimensão trimodal – sensorial, emocional e executiva – ascendente e numa operacionalização gradual diversificada para que a mecanização seja minimizada e a generalização alcançada. 

De uma forma simples, o desafio na superação da dificuldade não se limitar ao contexto terapêutico e com determinados requisitos da tarefa e sim na sua generalidade diária, ou seja, a criança ser capaz de realizar uma construção independentemente do tamanho, cor, disposição e textura das peças constituintes. 

Indubitavelmente que o caminho para alcançar este estadio é variável e depende de vários fatores. Se a criança não consegue encaixar porque o posicionamento da cabeça não facilita, porque cores semelhantes criam a ilusão de uma peça maior ou porque na posição de pé os braços ficam mais tensos e o encaixe é brusco… qual seria o ponto de partida para a intervenção? Treinar e treinar o encaixe até à sua execução? Ou dotar de ferramentas, com pormenor, para um desempenho cada vez mais facilitador? E na escrita? Se a criança confunde um p com um b, devermos treinar e treinar, sentado e em contexto de escrita manual, até à sua correta e devida identificação? Muitas são as perguntas e dilemas neste mundo da Neurorreabilitação. Nada mais do que a terapia, e independentemente do que queiram atribuir à sua qualidade, deve ser a nutrição neurológica. Aquilo que conduz à mudança, mais rápida e mais eficiente. O caminho cada vez mais nos mostra que, quando isto acontece, as mudanças funcionais representam respostas que foram estimuladas criteriosamente por funções corporais. 

Continuamos com os porquês. Porque é que a criança primeiro olha e depois agarra, porque é gatinha e depois come sozinha com a colher e porque é que primeiro anda e depois fala? Porque é que quando estamos muito irritados não “ouvimos” e só depois compreendemos o que nos foi dito num processamento lento? Será que o emocional interfere no cognitivo? Para transmitir esse processamento através da fala é necessário, pela ontogenia, andar. Então o movimento, a locomoção serão a base para funções superiores que dependem umas das outras? A resposta é sim. 

Por momentos esquecemos os reflexos. E podemos, de fato, por de parte e seguir com o processo terapêutico, encarando o corpo como a base, que o é, sem qualquer sombra de dúvida. É na sua análise que está a chave. Uma criança que abra e feche a boca a cortar tem maior propensão a ter dificuldade na motricidade orofacial, fina e grossa. Encontramos movimento, inadequado em sinergias, compensações, e mais outra quanta nomenclatura qualquer. Por onde começar a intervir? Observamos que esta mesma criança faz garra com os pés ao mesmo tempo que pega numa caneta. Confuso? 

Quanto às ligações neurológicas e por onde começar, seria outro assunto, igualmente importante. Por agora, é fundamental reter que as ditas funções corporais podem ser melhoradas e alcançar um recortar mais efetivo sem ter sido executado a própria atividade. 

Possibilitar, estimular, encaixar… várias seriam as descrições, numa generalização de competências que o mundo da Neurorreabilitação anseia. Continuamos com esse grande, grande desafio, de sua mentora, a integração!  

Artigo desenvolvido por Sara Costa e Alexandra Barbosa.