A nossa diferenciadora missão.
SOBRE
Sobre
Neurologia de base de “uma” Margarida, megui, e em Guimarães, gui.
Nasce do sonho de uma mãe, Ana Salazar, e do esboço de uma terapeuta, Sónia Silva. Conceções distintas, mas convergentes no caminho. Laranja e verde à nossa imagem no almejar da Neurorreabilitação pediátrica integrada e individualizada.
O crescer de um sonho por Ana Salazar
Ana Salazar,
Uma mãe que pretende garantir um futuro sorridente à sua filha com paralisia cerebral.
Empresária e mãe de 3 filhas, sonhou um dia fazer nascer na sua Cidade um espaço diferenciado, que se distinga dos restantes por reunir uma equipa multidisciplinar de excelência, capaz de atender a todas as necessidades e especificidades de cada criança.
Durante 8 anos percorreu milhares de quilómetros carregados de esperança na ânsia de alcançar o melhor para a sua filha, que lhe acrescentou motivação para a criação de tal espaço.
Nesta dura e longa jornada, conheceu a sua sócia e juntas idealizaram e criaram este projeto, pensado ao pormenor por ambas, desde o espaço, a sua envolvência, materiais e a melhor equipa, que se distingue na vanguarda da sua atividade.
Como mãe, o meu grande desejo é proporcionar a todos os que têm de travar esta luta diária, o melhor acompanhamento possível, no sentido de poderem criar ferramentas para se tornarem seres autónomos e participativos na sociedade.
Ponto de Partida
Acreditamos que...
Acreditamos que no dar surge o receber. Para “dar”, são valores como a integridade, responsabilidade, humildade, sensibilidade, empatia e confiança intrínsecos a cada elemento num acreditar permanente. Aqui, o dedicar especifica o cuidar, no personalizar in loco, onde o construir, de dentro para fora e tal como o sistema nervoso funciona para a ação, culmina no evoluir, o dito “receber”. “Receber” este, o que almejamos para todos os envolvidos, nesta visão e valores que definem a nossa natureza.
O cuidar da família de quem nos procura
Nada menos importante, o cuidar da família de quem nos procura. Sem juízos de valor, com sensibilidade e num personalizar onde a empatia transcende a palavra e é acompanhada do pensamento “E se fosse eu?”.
Aliado a este acreditar, numa ligação única da própria maternidade “especial” ao conhecimento, a nossa missão alicerça transformação, onde atribuir vida e não apenas viver engrandece o propósito da nossa essência, num espaço familiar onde as mãos aplicam técnicas com o coração. Técnicas essas, pioneiras, criteriosas e metódicas acompanhadas já de resultados impactantes e até, supostamente, impossíveis de alcançar.
Todos envolvidos
A referência a este “todos os envolvidos” pressupõe ir mais além do que a relação terapêutica com cada utente. O sentimento de cuidar e de personalizar contempla também os próprios colegas de trabalho. Cuidar com respeito e valor de cada profissional num dar e possibilitar as aprendizagens para que cada criança usufrua do melhor, numa organização onde a pirâmide rígida não é privilegiada.
O crescer de um sonho por Sónia Silva
Sónia Silva,
A paixão por crianças foi desde sempre o meu desejo e o que me conduziu à Terapia Ocupacional. Ainda a frequentar a Licenciatura, surge o meu primeiro grande desafio: trabalhar diariamente com uma criança com paralisia cerebral. Esta criança, agora adulta, Tiago Mota, despoletou em mim inquietude, preocupação e, ao mesmo tempo, curiosidade, muita. Os seus pais, muito me explicaram e orientaram neste processo. Tinham vindo do CIREN (Centro Internacional de Restauração Neurológica, em Cuba) e a sua visão era “um pouco diferente” do que até então teria sido intervencionado com o Tiago. O trabalho ia surgindo e eis que, aos 8 anos, o Tiago começa a falar. Lembro as risadas, a euforia das palavras adquiridas e o tanto que me ensinou.
Na mesma altura, conheci o Gonçalo. O meu segundo “menino” diário com paralisia cerebral, tetraplegia espástica, que também tinha ido a Cuba. A ambição de potenciar a evolução era igualmente enorme. Trabalhava em casa do Gonçalo com a sua mãe sempre presente, a Conceição. Todos os dias acompanhava a luta. Na transferência carro-cadeira-carro, alimentação e até no banho. Recordo todas estas aprendizagens com muita admiração, carinho e sobretudo respeito.
“Sónia Silva!!! Um ser humano incrível. Meiga, dedica-se de corpo e alma a tudo que faz! Trabalhou com o meu filho Gonçalo com paralisia cerebral e fez um trabalho excecional. Trabalhou o corpo e a mente, muito produtivo e a nível de desenvolvimento foi com certeza a melhor época e mais feliz do meu filho. Não há semana que não recordemos a Sónia, ficou nos nossos corações. Conceição Nogueira, mãe do Gonçalo.”
O mundo da “reabilitação intensiva” ter-se-ia iniciado quase “sem dar conta” e o CHS-CIREN, em Guimarães, foi o que gerou essa primeira consciência. Aqui, tive o privilégio de aprender, amadurecer e trabalhar com médicos e terapeutas cubanos. Os resultados que iam surgindo deixavam-me com uma sede de conhecimento cada vez maior. A cada conquista pensava e idealizava a seguinte. À mais difícil de alcançar questionava-me o porquê e o que “faltava” para a conseguir. O meu primeiro contacto com o “pormenor” no processo terapêutico deu-se aqui. Posteriormente, dediquei-me à direção técnica no CHS, em Braga e durante 9 anos.
Esta sede aumentava de dia para dia. Diferentes casos, histórias de vida e lutas das famílias, muitas. Algo em mim, e talvez por ter tido imensos desafios na minha infância e sobretudo na transição da adolescência à vida adulta, provocava uma determinação acompanhada de grande exigência, auto e hetero, nesta procura do conhecimento de causa dos diversos handicaps e acreditar vivamente que “há sempre algo mais a ser feito”.
Várias foram as viagens que realizei em busca desse conhecimento. Em todas elas aprendi. Conheci várias pessoas. Estilos e modos de vida diferentes. Métodos estudados, alguns. Mas, indubitavelmente, o que mais me marcou, foi o primeiro contacto com a integração dos reflexos primitivos. A minha segunda paixão, a seguir às crianças.
O estudo e a busca pelo saber mais era permanente. Os meus pensamentos, múltiplos, imensos, numa conjuntura de várias ideias e vontade de operacionalizar, não fosse eu Geminiana! Falava muito rápido, era impulsiva e as minhas competências de comunicação eram pobres. Falar em público moldava uma linguagem corporal tensa, rígida, onde os momentos de sorriso eram quase inexistentes numa expressão facial fechada. Percebi que tudo isto estava relacionado com os tais reflexos primitivos e comecei a trabalhá-los em mim. Dia após dia tentava compreender os sinais que o meu corpo emitia. Decisões foram tomadas e a minha “leveza”, quase em jeito de desbloqueio, tinha emergido.
Acredito que nada acontece por acaso e todo este caminho conduziu a uma outra vertente, o da formação. Comunicar já era muito mais fácil e passar o conhecimento também. Vários foram os profissionais com quem contactei e igualmente aprendi.
“Multidisciplinaridade: aquele conceito que todos os profissionais de saúde aprendem na sua formação de base, mas que na prática clínica nem sempre se dá real valor à sua importância.
Em saúde, cuidamos de PESSOAS, com características individuais, fatores intrínsecos e extrínsecos associados a patologias e/ou disfunções, que precisam de ser avaliados e tratados de uma forma integral para que sejam atingidos os objetivos traçados para a sua evolução clínica. Uma única área da saúde não consegue dar resposta a essa multiplicidade de características e fatores que compõem a pessoa. Como fisioterapeuta, tenho encarado diversos desafios na prática clínica que me fazem pensar: “ok, e agora, o que poderia fazer mais para atingir os objetivos neste caso?”. Num desses casos, tive o privilégio de conhecer a Sónia, que além de me contagiar com a sua enorme paixão pelo conhecimento, me tem mostrado o quão importante é, na prática, esta questão da multidisciplinaridade em saúde. Percebemos lacunas que foram colmatadas, foram delineados objetivos específicos para aquele caso, tornámos o nosso trabalho num trabalho eficiente, com lógica, bem estruturado, isto graças a esta parceria que só veio enriquecer e facilitar a evolução clínica da pessoa. O nosso olhar, enquanto profissionais de saúde, não pode ficar unicamente nos conhecimentos específicos de cada área profissional, mas no cruzar desses conhecimentos. É aí que acontece a “magia” da recuperação, da reabilitação.
Somar saberes é fundamental para dar respostas efetivas e eficazes aos nossos utentes!
Obrigada Sónia, por me inspirares a ser melhor e a dar o melhor de mim a cada passo que dou. Ana Tomé, Fisioterapeuta.”
Muitos resultados foram alcançados ao longo do tempo assim como contactos para dar o meu contributo no caminho da evolução e, apesar do percurso ter sido iniciado com casos patológicos, os disfuncionais despoletaram um interesse ainda maior.
Mamã, eu não consigo tirar as asneiras do meu corpo!
Ouvi esta frase, há cerca de 6 anos, quando, num final de tarde, me encaminhava para casa com o meu filho de 5 anos.
Naquele momento, percebi a angústia que ele sentia com o controlo e coordenação do seu corpo (as “asneiras” designavam a agitação motora, a inquietude, o desequilíbrio, o não ser capaz de corrigir a trajetória e, com frequência, embater em colegas e objetos).
Desde muito cedo, fui identificando algumas questões no seu desenvolvimento que me inquietavam, mas no contacto com os médicos que o acompanhavam, fui, com muita frequência, ouvindo que com “o tempo e o crescimento, tudo irá ao sítio”!
Neste testemunho, não me vou alongar, descrevendo todas as etapas do “nosso processo” (é “nosso” -do meu filho, meu e do meu marido- e não só dele, porque, também, nós estamos em desenvolvimento, enquanto pessoas e educadores), mas vou dar conta do momento em que me cruzei com a “integração dos reflexos primitivos” e com uma profissional importante nesta caminhada: a Terapeuta Ocupacional Sónia Silva.
Este encontro, aconteceu num momento muito crítico da nossa vida – o D. tinha sido diagnosticado com uma Acalásia, e estava prestes a ser sujeito a uma intervenção cirúrgica ao estômago para controlar os sintomas da doença. O trabalho com a Terapeuta Sónia iniciou-se duas semanas antes da cirurgia e já leva dois anos de atividade.
Um mês após a cirurgia, recomeçamos o plano de trabalho e, nos seis meses que se seguiram, houve uma transformação muito evidente no D. (o corpo ficou mais robusto, os movimentos mais controlados e fluidos, o humor mais sereno e tranquilo, a leitura ficou mais segura e a ortografia começou a melhorar, só para citar os mais evidentes). Muito aconteceu, desde então, avanços e, também, recuos… em momentos de stress, de perdas e de crescimento que obrigam a novas reorganizações, mas sempre no sentido de uma maior complexidade, organização e autocontrole.
Para mim tem sido um processo de aprendizagem, com muitas leituras à mistura, com uma capacidade diferente de análise e compreensão do desenvolvimento do D., mas também de outras crianças e jovens que acompanho, a nível profissional e para o D. um processo de amadurecimento, consistente e integrado, dando-lhe condições de desenvolvimento “do seu melhor potencial”. Ana Lopes, Mãe, Fisioterapeuta e Psicóloga, Janeiro de 2023.
A motivação em ajudar mais e mais crianças aumentava sobretudo pelos resultados alcançados. A procura tornava-se cada vez mais crescente, onde o marketing boca a boca ganhava mais e melhor robustez. Muitas dúvidas, preocupações e inquietudes surgiram nos diferentes projetos hipotéticos, embora, em momento algum questionasse o valor do meu trabalho e a minha dedicação. Nunca deixei de acreditar, tal como o transfiro para o potencial das famílias. E foi nesse ponto, que decidi abraçar a Neuromegui.
“O bom filho à casa torna”, já dizia a sabedoria popular. E assim o é. Guimarães voltou a acolher-me, 11 anos depois para a edificação de um sonho, pois a construção, essa, não assentava no agora.
A Margarida foi uma das meninas que conheci no meu percurso profissional, a filha da Ana. Rebelde, pragmática, determinada e decidida são algumas das suas características. Pela sua história e enquadramento, as dificuldades teriam sido somadas à medida do seu crescimento. Fiz parte de algumas delas. Muitas eram as perguntas, “quando vou andar sozinha?”, “quanto tenho de trabalhar para calçar as meias sem ajuda?” e “porque a minha irmã pode fazer isto e eu não?”. O aperto surgia na tentativa de atribuir respostas. Certo, é que a cada quase-conquista, a Margarida ganhava uma força inabalável, um desejo de abandonar o quase numa criação de estratégias e até a sua implementação. “Mãe, amanhã acorda-me mais cedo para calçar as meias sozinha” e “Sónia, quero aprender a amarrar o cabelo!”.
Muitas são as “Margaridas” por aí, assim como “as minhas” e os “meus” meninos, os quais deposito o meu maior apreço, respeito e amor. Sabem quem são, só ainda não sabemos quais serão, com a certeza que do nosso melhor disponibilizarão.
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